sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A Teia Dos Sonhos


Olá!
Que bom que você veio.
Há tempos espero uma visita sua por aqui.
Venha me de a mão, vou levar você a um passeio, não sei se tão belo quanto espera, afinal, sentimentos ás vezes assustam.
Melhor, vá sozinha!
Veja, sinta, toque, feche os olhos se assim desejar, sei que a minha presença te impediria de fazer tudo isso. Demore o tempo que precisar demorar, e se quiser sair sem se despedir, por favor, fique a vontade.
Vou lá tomar o meu café, fumar o meu cigarro, e colocar uma música do Chico. Se eu não voltar a vê-la, por favor, leve um adeus meu na sua memória.
Não queres ir sozinha?
Não há nada de tão grave que vá te meter medo logo que entrar, aos poucos a sua reação vai aparecer, ela pode ser boa ou ruim, isso vai depender de como você absorve as situações na sua vida, então prefiro ficar aqui no meu cantinho, cantalorando por dentro a sua vinda, o seu chegar à minha vida novamente.
Não entende por que fico assim? Eu te pergunto: Por que veio até aqui? As respostas estão ai, é só você procurar, catar em todos os cantinhos de si, e sim, você vai encontrar, assim como eu encontrei. Não vou lhe dizer como, eu tive que descobrir sozinha, você também terá.
Tudo bem!
Quer conversar antes, tomar um café, sentir-se em paz antes de tudo.
Ok, lhe permito, aliás, lhe permito tudo, tudo de mim eu lhe permito!
Sente-se!
Vou colocar a sua musica favorita e acender o seu cigarro de filtro vermelho. Conte-me! Tudo o que tiver que me contar, me conte. Eu sei que eu sei! Arrisco dizer que conheço você melhor do que você mesma é capaz, o que não é muito difícil. Mas hoje essa tua ausência já me doeu demais e eu gostaria de ouvir a tua voz me falando todas as coisas. Não se preocupe com “é longa demais", já disse que há tempos espero pela sua vinda e hoje vou sugar tudo que for possível dela, me conceda esse prazer, me faça ver sentido em ter vivido essa espera sem desistir.
Ok. Eu falo primeiro, se essa é a sua vontade.
Ah, moça!
Não sabe o quanto esperei por esse dia.
Não! Você de fato não sabe.
Minha. Tu és minha.
Pegue na minha mão, sinta! Você me conhece.
Não vá achar que sou louca. Eu apenas senti no primeiro dia em que a vi que você traria a minha felicidade em um potinho, cheio de coisas lindas, uma caixinha mágica que abrimos com a maior euforia quando recebemos, e então descobrimos que as coisas encontradas dentro dela devem ser manuseadas com toda a delicadeza possível. Você veio, e me trouxe o potinho, a caixinha, e agora eu e você devemos manuseá-las com todo o cuidado. Eu quero que você entre, feche os olhos, respire fundo e sinta todo esse misto de sentimentos que eu guardei aqui pra você, eu quero que você grite, corra, eu quero que você chore, eu quero ver você livre, para que eu possa me sentir livre, para que o nosso amor seja livre, e livre ele voe sem destino, entre nas casas mal assombradas da sociedade infeliz dos casais de meia idade sentados no sofá assistindo sei la o que com a boca aberta, num silencio que seria atormentador, mas que eles nem notam mais, pra que lá o nosso amor entre e grite que ele vive agora, mais do que nunca, e mais do que o amor deles foi capaz de suportar, por que eu já chorei demais nesse quarto sem saída, e você já chorou demais longe dos meu braços.
Eu quero que você me ajude, agora!A mostrar todas as flores que eu já lhe dei, escondidas, embaixo das suas roupas, eu quero ler as nossas cartas em voz alta na frente da sua casa.
Me dê à mão, e um beijo na boca na porta da igreja e casamos ali, aos olhares incrédulos da velhinha que reza 20 vezes por dia o pai nosso trancada numa casa fria.
Picharei, nos muros das capitais, em cores vivas, os nossos nomes dentro de um coração, vivo.
Nós não somos estranhas. Nós dissemos "eu te amo" depois do orgasmo, tudo bem, isso é estranho para quem não conhece ainda o que de fato vem a ser o amor.
Olhe a sua volta!
tudo seu.
Eu, toda sua. Como talvez nunca pensasse em ser, assim, de alguém. "Ser de alguém", muito forte, certo? Vamos usar uma frase menos comprometedora, como por exemplo - eu, aqui, pronta para unir a minha vida com a sua. Não, não seremos uma só vida. Isso é banal. fala fria sem pensar, nós pensamos, eu sou inteligente, você é inteligente, então seremos duas vidas, lado a lado, cada uma com a sua dor, com a diferença de que sabemos a hora em que o silêncio se faz bem vindo, junto com o passar de mão pelo rosto, assim, mais nada, e isso acalma mais que um chá de maracujá e dois daqueles calmantes porrada mesmo.
Aliás, consegui jogar fora os meus calmantes.
Pronto.
você é o meu calmante.
A melhor sensação do mundo, sem os exageros característicos meus, o melhor momento de qualquer dia filha da puta que eu passe, é ouvir o vento batendo na teia dos sonhos enquanto você esta enrolada em meus braços, com a cabeça no meu ombro, dormindo,é sublime. Sem mais definições, é SU-BLI-ME.
Não sei como chegamos até aqui. Chegamos ao ponto em que a única solução é corrermos para nós mesmas, num cantinho só nosso onde tudo esta no seu devido lugar, assim, um amor meio egoísta, não, egoísta não, um amor a dois, isso, um amor a dois. Meu, teu, e se alguém ameaça querer dar sugestões, nós somos meio que brutas, e fugimos, sem dar maiores explicações. Protegemos ele tal qual protegemos uma a outra.
Desde que nos conhecemos você sempre dava um jeito de voltar pra minha vida, ou sempre fazia parte dela, mesmo que distante, às vezes ficávamos meses sem nos ver e mesmo assim,quando eu te via, era a mesma coisa de quando nos vimos pela primeira vez.
Não. A primeira vez foi bizarra, a segunda também. então assim, “E mesmo assim, quando eu te via, eu sentia a mesma coisa de quando me dei conta de que era completamente apaixonada por você." Isso, assim ficou bom, não acha? Ainda me sinto assim sempre que te vejo.
O estar apaixonada por você, que troço doido!
Tive que subir num ônibus, ver você partir, pra me dar conta que todo o meu pedacinho de paraíso estava ali, indo embora!
Eu sei que você perdoa todas as mancadas grotescas que eu dei antes de iniciarmos essa quimera que é o nosso amor. Você demonstrou isso o tempo todo, esperando e cuidando dele sozinha, nutrindo e sabendo que um dia ele cresceria sem que as nossas mãos o pudessem segura-lo.
E elas já não podem.
Existem histórias que não tem um sentido concreto, obvio. O nosso amor viveu dos sonhos, e ainda vive. Por isso é que ele vive. Nós estamos vivas para o mundo.
Ah, sei lá!
Cansei de falar.
No final das contas você sabe tudo. "Eu te amo, tu me amas, nós juntinhas nos amamos".
Estou com sono.
Bem sabe que quando fico com sono as palavras parecem que fogem de mim, eu fico down.
Isso! Vem mais pra perto.
Deixa-me encostar a minha cabeça no seu ombro.
Ouça o vento bater na teia dos sonhos, que agora podemos dormir em paz, minha garota.
Em paz!

terça-feira, 10 de novembro de 2009



Dois personagens em um bar de São Paulo fazem incríveis ligações sobre as obras do Quentin Tarantino, montando assim uma tese sobre as obras do diretor.
Realmente um curta imperdível, daqueles que tu fica assistindo querendo participar da conversa entre os personagens.
Além de envolver quem o assiste com a tese, o curta conta com magníficas jogadas de cena, e diálogos espertos, reforçando ainda mais a característica do Selton Mello em filmes desse tipo, que junto com o Seu jorge interpretam os dois personagens.
A direção é dos cariocas 300 ml e produção da Republika Filmes, que teve o curta como um primeiro investimento da empresa.
Assista ai e entre na onda da teoria Tarantinesca.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Carta para Joana


É primavera, Joana! Incrível, às vezes custo a acreditar que já passou tanto tempo. Embora primavera seja a estação das flores, pássaros cantando, sol e todas essas coisas alegres, os dias aqui, desde que a primavera iniciou, são escuros, e chuvosos, muito. O cara da televisão, aquele que diz a previsão do tempo, e também os mesmos na rádio, dizem que toda a primavera vai ser assim por aqui, disseram que vai chover 20 dias diretos, só nesse mês. Não sei se acredito neles! Mas são os caras da televisão, certo? Pelo menos alguma coisa do que dizem deve ser correto.

Joana, você sabe que sempre gostei de dias nublados, e da chuva, sempre! Mas confesso que daria tudo por um dia de sol, e as pessoas nos parques, faz tempo que não posso usar a nossa toalha de piquenique igual às de filme. Uso ela sobre a mesa, só. Mas assim ela é sem graça, é só uma toalha de mesa. Acho que ela sempre foi só isso, eu que colocava magia nela quando estava contigo.

Ando sozinha, Joana. Não por que não tenho amigos, mas por que de certa forma eu mesma fiz questão de afastar todos de mim, não, não afastar, mas eu quero ficar assim, sozinha. Tenho mais tempo pra escrever pra ti. Embora eu saiba que nunca lê, mas saiba que são todos teus, as minhas palavras, minhas alegrias e sim, até as minhas tristezas.Desde que te conheci, mesmo você longe, não tenho tido tantas tristezas, arrisco até dizer que não tenho tristeza nenhuma. É estranho. É estranho por que eu me afogava dentro dos meus próprios arrependimentos, e os dias passavam nulos até que chegasse a sexta-feira para que eu pudesse sair, e beber, fumar, dormir na casa de sabe-se deus quem, e Joana, eu voltava pra casa mal. Não da bebida, nem dos cigarros, nem mesmo dos baseados, mas sim das pessoas. Elas me consumiam. E eu voltava pra casa me sentindo suja, nojenta, uma perversa, Joana, eu era uma perversa sem dono. Que asco eu sentia do meu próprio corpo!

Sonhei com você esta noite, foi tão real, e tão lindo! Você estava com um vestido colorido, brinco grande de pena em uma só orelha, na outra um pequeno, de brilhante, e Joana, seu cabelo estava solto. Aqueles lindos cachos! Não, eu sei que não combina nada com você tudo isso. Mas você estava linda. Você é sempre linda. Estávamos tão felizes no sonho, Joana, a gente sorria, muito e estávamos numa praia, um lindo céu azul, embora estivesse frio. Perfeito, certo? Tenho saudade do seu sorriso.

Ando comprando café instantâneo. Mais rápido, pratico. E não tem mais a mesma graça tomar café, sabe fazer aquele ritual que eu fazia quando você dormia comigo, onde pela manhã eu passava um café, e a casa ficava por algumas horas com aquele cheiro de café exalando pela casa. Agora faço assim, esquento a água, coloco na xícara e esta pronto. Não fica cheiro de café pela casa.

Não sou parecida com ninguém que eu conheça, Joana. Nem mesmo com você. Você me entendia, o que é diferente de ser parecida. Mas mesmo me entendendo, no final, você foi má nas palavras que jogou na minha cara. Fiquei triste. Mas não te pediria compreensão. Eu já não conseguia olhar nos seus olhos aquela tarde, e o pouco que olhei, quando vi seus olhos vermelhos, e aquela raiva toda desenhando seu corpo, tratei logo de tapar o rosto com as mãos. Não te peço perdão. Apenas lhe digo que sinto saudade, e eu sinto, mesmo.

As pessoas estão distantes de mim. Minha família, principalmente. Embora de uns dias pra cá, desde que voltei a casa deles, tenho visto certa vontade deles de me abraçarem, e falarem que sentem muito por tudo que causaram na minha vida, na nossa vida, Joana. Não sorrio pra eles. Não. A mãe disse que vai fazer um banho de ervas, que isso que eu tenho é macumba! Ora macumba, Joana. Vê se pode. Macumba contra mim. Quem seria o idiota que iria querer foder mais a minha vida?

Meus irmãos cresceram. Estão lindos. Quando entrei em casa percebi o quanto estava distante deles. Anos sem se quer ouvir a voz deles mudando. Nesse dia eu senti a dor. Eles pouco me reconheciam, de fato, Joana, mudei muito. Tenho olheiras, e a minha face está doente. Já não me olho no espelho. Mandei que tirassem todos eles do meu quarto. Até aquele grandão de corpo inteiro. Meu corpo é só um corpo. Não a beleza que todos olhavam antes. Ah, saudade. Eles me chamam pelo nome. Tenho vontade de gritar para eles e dizer “escuta aqui, eu limpei a bunda de vocês, dei banho, preparei mamadeira, e cuidei de vocês quando ninguém cuidava.” Mas não tenho força pra isso. E iria adiantar? Meu nome não foi tocado sequer uma vez aqui desde que fui embora.
Não tenho como culpá-los.

Escolho o teu sorriso antes de morrer. Um sábio que conheci pelas ruas de Porto Alegre, um velho, mas sábio, me disse que eu deveria ver um sorriso antes de morrer. Isso faria com que meu coração parasse em sincronia com o mundo e assim a minha alma seria livre, e a morte seria até bonita. Que bobagem! Ele estava bêbado. E eu também. Mas o meu final está aqui, e dei para acreditar em sábios e em bêbados. Como um prisioneiro no corredor da morte, que escolhe sua ultima refeição, eu escolho o seu sorriso.
Pode vir. Por Favor?

Imaginei coisas ontem! Efeito dos remédios, pode ser. Isso está me detonando. Mas eles me fazem viver num mundo a parte. Na verdade, acho que sempre tive essa vida dentro de mim, só nunca soube dividir. Você entrou um pouco nela, mas logo fez questão de sair. Ou fui eu quem te expulsou? Ainda não resolvemos isso. Um dia chegamos a um acordo, Joana.

Queria você aqui nessa hora, mas deixo claro nas palavras escritas pelo meu coração que eu sei que daqui a pouco passa o trem, aquele, do qual tanto falamos. Não estou com medo. Estou feliz. Espero uma viagem ótima, Joana. Já não agüento mais.

A grama é de um verde lindo, Joana. E os pássaros atingem a nota musical mais bonita, seja ela qual for, eu tenho um espaço só meu, e eu posso fazer o que quiser, Joana. Tem uma cachoeira e eu tenho uma casa de madeira. Aqui tudo é colorido, as cores são intensas. Até de rosa eu passei a gostar. Ando sempre de pés descalços, e sorrio,todos os dias, durante todas as horas. As pessoas me amam, aqui. Tenho livros por todas as partes e o café mais delicioso. Tem sol. Todos os dias. E ele me esquenta. O clima é sereno, as nuvens são brancas feito algodão, eu aqui vivo de sonhos.

É sempre primavera. Eu posso ver o seu sorriso todos os dias, Joana.

Todos os dias.

Da sempre, sempre sua...

Je t'aime

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Caixa mágica

Loucura! Pensou na hora em que embarcava no ônibus. Que história de amor mais distante, ouviu de um amigo, o único que ainda era amigo, ao dar o abraço de despedida. Que tudo dê certo, pense – nada é loucura quando é feito por amor. Embarcou com essa frase na cabeça, de fato nada é loucura quando é feito por amor.
É amor? Perguntavam-se todos se aquilo teria um fim, era o que eles queriam, e insistiam, isso não é amor. Alguns se afastaram, alguns riam ao vê-lo passar feliz ao telefone, de alguns, ele mesmo fez questão de se afastar, ao ouvir conselhos fajutos e lições de moral do tipo, você não tem certeza de nada nessa vida, você não sabe o que é o amor, isso não passa de uma historinha adolescente ou o pior de tudo, não levo a sério essa tua história.
De fato eles não se viam todos os dias, nem mesmo podiam passar o final de semana juntos; nas festas às vezes iam sozinhos, depois de um tempo sair já não tinha graça.
Ninguém compreendia.
A questão era que durante meses aquele sentimento foi se tornando maior do que talvez eles esperassem, ganhavam o dia só de ouvir o suspiro de um no outro lado do mundo em cada ligação, esperada, marcada. Viviam juntos, embora separados do toque sutil da mão do outro ao acordar. No telefone, por muitas vezes falavam ao mesmo tempo a mesma coisa, achavam graça, e riam da casualidade tão destinatária.
Choravam, muitas vezes, ao falar desse sentimento tão surpreso, deveriam ali aprender lidar com isso, pois tudo era novo. Tudo ali era novo!
São muitos os que foram fracos, e por medo abriram mão de uma felicidade talvez completa, talvez, por que nada é completo. Alguma coisa sempre falta.
Eles mesmos já pensaram nisso. Em largar um ao outro. Seria em vão. Encontravam numa música o tom exato do outro. E na respiração, a sintonia do outro, e prontamente ligavam-se, ao entardecer, só pra ter certeza de que o outro estava lá, de que nada havia saído do lugar.
Muitos foram os momentos de solidão, de um medo um tanto quanto estranho, da força daquilo que nem mesmo eles entendiam, mas sentiam, e isso bastava. Entender o que se sente custa caro.
Encontraram-se na rodoviária, Casablanca, ultima cena, partiu em passos lentos em direção aquele eu, o qual ele tanto esperou, em passos lentos encontraram-se, e sem notar a multidão que, abismada, cuidava a delicadeza da cena, beijaram-se.
Loucura! Indagaram ao mesmo tempo. E riram. Por fim juntos.